Quero compartilhar com vocês uma grande experiência que tive quando decidi abrir a minha própria empresa e algumas reflexões sobre isso. Vou dividir o assunto em uma série de posts que tem início hoje. Nessa primeira parte vou comentar de forma geral o que é essa coisa de “monte seu próprio negócio”.
Desde sempre as pessoas, em geral, perseguem o sonho do dinheiro fácil. Quem tem blog, por exemplo, vive falando em “monetizar“, apostando que o Google Adsense vai, do nada, sustentar todo mundo que monta um blog pelo resto da vida. Há quem invista na moda do momento, a Bolsa de Valores, acreditando que vai comprar uma mansão no Morumbi em menos de um ano, mesmo que não entenda nada de mercado financeiro. Conheci pessoas que, anos atrás, caíram em uma empresa que promovia o tal “marketing em rede” e depois levantaram só pra cairem novamente em outra empresa do mesmo naipe (sem links por motivos óbvios).
Modismos a parte, até hoje nada bate o “monte seu próprio negócio“. É o top hit. Acredito que todo mundo, mesmo que por um momento, já pensou ou ainda pensa nisso. Diferente do adsense, marketing em rede e da bolsa de valores, montar seu próprio negócio pode realmente funcionar independente de quantos livros já foram escritos sobre isso. Porém, um aspecto é comum a todos e está diretamente relacionado com o sucesso ou fracasso: o Conhecimento.
Conhecer o adsense, perceber que está relacionado ao conteúdo, ter um bom conteúdo e saber que matematicamente o Google não vai te sustentar pelo resto da sua vida. Conhecer o mercado financeiro, as regras, as estatísticas e fórmulas, as tendências, as empresas, e saber que é preciso ter dinheiro para investir e os riscos envolvidos. Conhecer o marketing em rede, entender que estatísticamente você está ferrado se houver mais de uma pessoa acima de você nessa rede.
Da mesma forma, “montar seu próprio negócio” envolve antes de tudo conhecer o mercado, conhecer muito bem seu próprio produto ou serviço, conhecer a relevância disso para o mercado, conhecer o cliente, conhecer as leis e impostos, conhecer o fluxo financeiro, custos e preço de venda, entender de contratos, saber lidar com clientes, fornecedores, sócios e funcionários (tratar bem um estagiário por exemplo), acompanhar as tendências, etc etc etc. Em outras palavras: não é fácil e não é pra todo mundo. Quem busca fugir de um patrão, por exemplo, ao montar o negócio consegue de brinde dezenas deles, cada cliente, empregado e fornecedor é um patrão que vai cobrar e cobrar muito.
Um exemplo clássico - e triste - disso é o caso de vários bancários que saíram de seus respectivos bancos com uma boa grana e seguiram cegamente o sonho do negócio próprio. Não creio que exista estatísticas especificamente desse caso, mas acredito que pelo menos 75% deles se f… quer dizer, não obtiveram êxito. Desse universo, surgiram várias idéias boas sendo totalmente mal implementadas, e idéias ruins que nem todas as cartilhas do Sebrae foram suficientes para salvá-las.
E por falar em estatísticas, segundo esta matéria do Sebrae, 78% das empresas abertas no período de 2003 a 2005 continuam no mercado, bem diferente da mesma pesquisa feita com empresas abertas de 2000 a 2002 onde sobreviveram apenas 50%. De acordo com a mesma matéria, o Sebrae atribui essa significativa evolução ao Nível de Conhecimento dos empreendedores, não só buscam mais informações sobre o mundo dos negócios com também estão aumentando o nível de escolaridade. Viu só?
Claro que além do conhecimento, não podemos deixar de lado a visão de negócio - ver oportunidades em tudo - a coragem, persistência, disposição pra enfrentar desafios, lidar com problemas, criatividade, uma boa equipe e uma boa idéia. Tudo isso forma uma “postura empreendedora“. Existe aquele perfil do empreendedor nato, ou aquele que já vem de um contexto onde a educação familiar - vide Pai Rico Pai Pobre - é favorável. Mas a postura empreendedora pode ser desenvolvida sim, inclusive por necessidade, como bem lembrado pelo nosso amigo lavador de roupa suja.
Nem de longe quero jogar água fria na idéia de montar um negócio, pelo contrário, fazer tudo isso com os pés no chão, e não motivado por modismos.
É isso, no próximo post a continuação…


